
Após um longo e tenebroso inverno volto a escrever aos 6 ou 7 leitores do blog...hehehe... Agradeço muito a quem comenta os posts e troca lembranças verdes.
O jogo que relembro nesse post é o primeiro jogo entre Palmeiras e Cruzeiro pelas quartas de final da Libertadores da América de 2001 no Palestra Itália. O post é sobre o jogo, mas também sobre um jogador que despertava amor em alguns momentos e ódio em outros: Lopes .
Antes algumas pílulas:
- 2001 foi o ano do funk. Assim como em outros anos tivemos a explosão do pagode, sertanejo, axé music (?!), lambada e outras pragas, naquele início de ano a moda era um tal de Bonde do Tigrão. Aproveitando essa onda, o Lopes começou a ser chamado de Lopes Tigrão e comemorava seus gols fazendo as coreografias desse grupo. Não sei se foi algum jornalista (talvez do Lance), ou a torcida, ou o próprio Lopes que começou com esse apelido;
- O Palmeiras fazia uma campanha muito ruim no campeonato paulista e impecável na primeira fase da Libertadores. Se não me engano foram cinco vitórias e um empate contra Sport Boys (que usava uniforme rosa e era um time medonho), Cerro Porteño e Universidad do Chile. Para efeito de comparação, o Palmeiras teve 3 vitórias, 1 empate e 2 derrotas na primeira fase da Libertadores de 1999;
- Na partida do Palmeiras contra o Sport Boys no Palestra, um fato bem inusitado aconteceu: uma moça começou a dançar sensualmente na varanda da sua casa enquanto o jogo rolava. O jogo estava uma porcaria e ainda bem que ela apareceu para animar um pouco a noite...hehehe. Detalhe: o jogo foi numa sexta-feira (jogo às sextas é meio estranho);
- Contra o São Caetano nas oitavas de final ganhamos no sufoco. Após perder no Anacleto Campanela por 1x0, o alviverde jogava mal na partida de volta e estava muito nervoso. As melhores chances da partida foram do São Caetano e o gol da vitória só aconteceu aos 37 do segundo tempo após uma jogada linda do Muñoz (que acabara de ser contratado). A classificação foi sacramentada nos penaltis com um erro do Serginho, aquele mesmo que alguns anos mais tarde morreria após um ataque do coração.
Enfim chega o jogo contra o Cruzeiro do Felipão nas quartas de final:
- 2001 também foi o ano do apagão. O ano em que todos nós tivemos que economizar pelo menos 6% de energia. A coisa era séria e o governo tinha proibido partidas noturnas e ordenou que as partidas fossem realizadas a tarde. O Palmeiras sabiamente alugou um gerador para jogar a partida às 19:30. A decisão foi muito acertada, pois a vibração da torcida em um jogo noturno é maior do que em um jogo de dia de semana a tarde (o Vasco, por exemplo, prefiriu jogar contra o Boca Juniors em São Januário a tarde e perdeu por 1x0).
- Vamos ao jogo. Escalação do Palestra original: Marcos, Arce, Leonardo, Alexandre, Felipe, Magrão, Galeano, Alex, Lopes, Juninho, Fábio Júnior (entraram durante a partida: Tuta, Fernando e Muñoz). Escalação do Palestra mineiro: André, Neném, Cris, Luizão, Marcos Vinicius, Sorin, Cleber Monteiro, Jackson, Ricardinho, Geovani e Oséias (entraram durante a partida: Jorge Wagner e Marcelo Ramos);
- Primeiro tempo: Gol do Palmeiras, 1x0- Lopes Tigrão, a coisa começa bem. A anta do Magrão foi expulso aos 38 do primeiro tempo (não me lembro do lance só vi o relato da partida no site da Conmebol). Gol do Cruzeiro, 1x1- Jackson. Gol do Cruzeiro, 1x2- Geovanni.
- Segundo tempo: Gol do Palmeiras, 2x2- Lopes Tigrão. Gol do Cruzeiro, 2x3- Jorge Wagner. Mas aos 44 do segundo tempo, gol do Palmeiras!!!! 3x3!!! Hat Trick do Lopes!!!!
Da partida em si só me lembro dois lances: o golaço do Geovanni do Cruzeiro em uma bomba de fora da área e o terceiro gol do Lopes também de fora da área quando achava que a vaca tinha ido pro brejo. O resto confesso que o tempo tratou de apagar da minha memória.
Com relação ao Lopes, posso dizer que sempre foi um jogador muito talentoso, mas que às vezes era meio displicente e que se perdeu durante a carreira. Provavelmente ele deve ter ganho muito dinheiro e ter construído um bom patrimônio, porém poderia ter sido muito mais do que foi se tivesse a cabeça no lugar.
Em 2000 o Lopes foi pego no doping por cocaína. Se não me engano a suspensão foi de 120 dias e ele voltou a jogar apenas em fevereiro ou março de 2001.
Na minha opinião a Libertadores de 2001 foi o melhor momento dele com a camisa verde. O Lopes foi o artilheiro com 9 gols e fez partidas muito boas, com um destaque especial para essa contra o Cruzeiro.
É até esquisito pensar que por muito pouco (e um árbitro paraguaio) não fomos campeões da Libertadores de 2001 com jogadores que hoje não trazem boas lembranças aos palmeirenses. É só ver que a zaga era formada por Alexandre e Leonardo. Volantes? Tinhámos o Galeano, Magrão, Fernando e Taddei. O ataque tinha Tuta, Fábio Júnior, Muñoz ou Basílio. E o técnico era o Celso (Bu)Roth. E mesmo assim quase levamos o caneco.
De muito bom daquele time tinhámos os laterais Arce e Felipe (ex- Vasco), os meios Alex e Lopes e o sempre são Marcos;
Caramba, já faz 8 anos que a partida ocorreu. Saudades daqueles tempos!!!! (momento nostalgia...hehehe).