
Carlos Castro, 2003. O vim, vi e voltei colombiano!



Vai passar nesse clube uma manifestação popular
Cada paralelepípedo do velho Palestra esse dia vai se arrepiar
Ao lembrar que aqui passaram jogadores imortais
Que aqui sangraram pela nossas tradições
Que aqui torceram nossos ancestrais
Num tempo página infeliz da nossa história,
passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia a nossa coletividade tão distraída
sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações
Seus amantes erravam cegos pelo continente,
levavam pedras feito penitentes
Ouvindo notícias plantadas em jornais
E um dia, afinal, terão o direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia que se chamará “Diretas Já!”
diretas já, diretas já
Vai passar, palmas pra ala dos turcos malditos
O bloco dos giltos retintos
e a corja das famiglias
Meu Deus, vem olhar, vem ver de perto uma clube a cantar
A evolução da liberdade até o dia clarear
Ai que vida boa, ô lerê,
ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral vai passar
Ai que vida boa, ô lerê,
ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral... vai passar

Parece que dizes
Te amo, Palmeiras
Na memória contida
Estamos felizes
Me lembro abalado
E deixo confissões
No gravador
Não é engraçado
Se não corresponde a esse amor
Me vejo a teu lado
Te amo?
Não lembro
Parece dezembro
De um ano malfadado
Diretas espero
Espero, espero
Dizer que não quero
Ditadura nunca mais
"Famiglias" nunca mais
Não sei se eu ainda
Te esqueço de fato
A nossa história
Não parece que finda
Mustafá, Frizzo e Tirone
Dizem confusões no gravador
É desconcertante
Deterem o grande amor
Meus olhos molhados
Insanos, maledetos
Mas quando me lembro
Já tivemos anos dourados
Ainda te quero
Dudu e Ademir, esses versos são banais
Mas como eu espero
Tua grandeza te refaz
Sem Judas nunca mais

Ninguém esperava que ele montasse uma “Academia 4”, contudo historicamente o estilo de jogo aguerrido nunca foi o favorito entre os alviverdes. É quase uma regra: só ganhamos títulos quando somos os melhores, campeonato na raça com pernas-de-pau era coisa de outro parque.
Começa o campeonato, o time é uma oscilação só... Ganha do Fluminense e Atlético Mineiro, empate com o Guarani em casa e perde para o Juventude fora(???), goleia o América de Natal, vence o Botafogo e Vitória para depois perder do Inter e carimbar as faixas do Cruzeiro, perde do Criciúma em casa e empata com o União São João fora (!!!!!), vence o lado rosa no Morumbi e é derrotado pelo Bragantino (maldita asa negra), empata com o Bahia em casa, humilha o Santos por 5x0 e empata com o lado negro que deveria ter caído naquele campeonato, perde do timaço do Vasco e empata no último minuto com o Coritiba com um gol do Alex, empata sem gols com Portuguesa e Flamengo e vence o Atlético do Paraná e Grêmio nas últimas rodadas. Resultado: classificação em sétimo lugar e uma campanha irregular ao extremo.
Os oito primeiros colocados seguiram adiante e foram colocados em dois grupos de quatro times que se enfrentariam entre si em jogos de ida e volta. O melhor de cada quadrangular se classificaria para a final.
Pois bem, um grupo era uma moleza só: Vasco (1. colocado), Portuguesa (4.colocado), Flamengo (5.colocado) e Juventude (8. colocado). O outro era um equilíbrio total e só gigantes: Internacional (2. colocado), Atlético-MG (3.colocado), Santos (6.colocado) e Palmeiras (7.colocado).
Começam as pelejas do quadrangular:
Palmeiras x Inter: 1x0 no Morumbi, um jogo sofrido, gol de Viola. O Inter era um time muito bom (pelo menos para mim) e o tal de Christian era o artilheiro do campeonato./ Outro jogo do quadrangular: Atlético 2x0 Santos (ATL:3; PAL: 3; INT:0; SAN:0)
Santos 3x3 Palmeiras: também no Morumbi, um jogo muito doido principalmente no segundo tempo. Acompanhava a partida pelo rádio e era um gol a cada momento. Era Macedo de um lado, Viola de outro. Ao final do jogo não sabia se foi bom ou ruim o resultado./ Outro jogo do quadrangular: Inter 2x0 Atlético (PAL:4, ATL:3, INT:3, SAN:1)
Atlético-MG 0x1 Palmeiras: jogo em destaque abaixo./ Outro jogo do quadrangular: Santos 4x0 Internacional (!!!!) (PAL:7, SAN:4, ATL:3, INT:3)
Palmeiras 3x1 Atlético: desse jogo só me lembro do Leão fazendo gestos dizendo que o juiz estava roubando a favor do Palmeiras. 37 mil no Morumbi e classificação encaminhada. Quem diria? / Outro jogo do quadrangular: Inter 4x1 Santos (PAL:10, INT:6, SAN:4, ATL: 3 (tchau Galo))
Palmeiras 1x0 Santos: gol de Galeano!!!!! isso mesmo... Galeano herói em 1997 e 2000!!! Estamos na final com uma rodada de antecedência!!!!! Viva Scolari!!!!/ Outro jogo do quadrangular: Atlético 3x2 Inter (PAL:13, INT:6, ATL:6, SAN:4)
Internacional 0x1 Palmeiras: mesmo com o time reserva ganhamos mais uma com um gol do Edmílson. Acho que foi nossa última vitória no Beira Rio. Uma campanha irrepreensível com 5 vitórias e um empate. Nem o palmeirense mais otimista imaginaria isso.
Atlético-MG 0x1 Palmeiras: destaco esse jogo pois foi nele que entendi o jeito Scolari de vencer. Um time sem sobras nenhuma, jogando no limite do risco, sofrendo até a alma, levando um sufoco desgraçado, mas.... ganhando.
O jogo foi disputado em uma quarta-feira à noite e o Atlético era um time muito bom com destaque para um tal lateral ou meio campista chamado Dedé. Toda hora o maldito estava lá apoiando o ataque mineiro e a defesa alviverde chutando para tudo quanto é lado (os zagueiros que atuaram naquele jogo foram Agnaldo e Cléber). Um sufoco desgraçado (quem lembrar desta partida pode me desmentir se quiser) e num contra ataque o Palmeiras faz um gol com o Euller aos 20 minutos da etapa final. Ufa! Ufa? Ufa nada! Daí até o final foi aquela pressão infernal bem típica do Mineirão. Ufa, agora acabou!
Infelizmente não ganhamos aquele campeonato. Penso que se tivéssemos sido campeões, esta partida seria lembrada com mais carinho e como o momento em que arrancamos para a conquista. Não deu. Mais ao menos vimos que nossos corações resistiam a testes de infarto e que esse gaúcho era tinhoso mas ganhava. O palmeirense acostumado aos esquadrões elegantes de 1993, 94 e 96 teria que mudar o estilo para continuar vitorioso. Um estilo muitas vezes não agradável, mas vencedor.
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Agradeço demais o apoio, vou retormar o blog porque percebi que quem o acessa entende a proposta dele. Quem quiser que o acesse e perca alguns minutos por aqui. O blog voltará a ser apenas uma coleção de histórias, lembranças e opiniões contadas de uma forma alternativa.
Foi no dia 18 de agosto de 1990 que me tornei palmeirense. Para quem não sabe, naquele dia o Palmeiras precisava ganhar em casa da Ferroviária para se classificar para a final do Campeonato Paulista e torcer para o Novorizontino empatar contra a Portuguesa. Pois bem, o Novorizontino não ganhou, porém o Palmeiras também não. Um trágico empate por 0x0 com uma bola na trave do Aguirregaray no último minuto.
Mas pai ficou arrasado após mais aquela decepção. Ele ficou quieto pensando se valeria a pena continuar a torcer para o Palmeiras, e mais ainda: se valeria a pena fazer uma criança torcer para um clube que era tão gigante na infância dele e tão zicado na minha. Afinal de contas os pais querem o melhor para os filhos. Naquele momento nada no horizonte dava esperança e se eu quisesse tinha passe livre para torcer para qualquer time do mundo. Contudo eu me antecipei a ele e disse que a partir daquela data eu me tornaria palmeirense pelo resto da vida, não importa o quanto vencedor ou perdedor ele fosse.
Em 1991 vi o Palmeiras ser campeão pela primeira vez. Isso mesmo... campeão do Campeonato Metropolitano de futebol de salão que passava pela finada TV Jovem Pan. Como aquele time de salão ganhava 80% de suas partidas jogando contra times como Eternit, GM, AABB, Corinthians e São Paulo comecei a acompanhar aquele esquadrão de Chiquinho, Cecílio, Paulão, etc. Obviamente não era um título para comemorar na escola ou pendurar o poster de campeão na parede do quarto, mas era importante para mim formar a idéia de um Palmeiras campeão em uma mente infantil.
Em 1992 assisti meu primeiro jogo em um estádio. Foi um Palmeiras 3x0 Goiás no segundo (ou terceiro) jogo do Palmeiras após a parceria com a Parmalat. Meu pai se animou com a parceria e pensou que esse seria um bom momento para afirmar minha “palestrice”. Não me lembro nada do jogo em si, só me lembro de uma multidão de pessoas de verde gritando, contando piadas, trocando memórias, vibrando e xingando um tal de Nelsinho (que eu não sabia direito quem era na época). Após o jogo, um cachorro-quente e um guaraná para celebrar um dia perfeito.
A partir de 1993 não preciso mais dizer o que aconteceu. Acredito que todo palmeirense sabe ou já ouviu falar histórias daquela época em diante. Em 1993 além das inúmeras vitórias, tive uma alegria pessoal: comecei a ser também sócio do clube. Foram quinze anos em que foi sócio (até 2008) e milhares de alegrias e desilusões nesse mesmo período nas arquibancadas muito duras do Palestra. Também já votei duas vezes nas eleições para o Conselho em 2003 e 2007 (naqueles poucos (na época) da UVB).
Gostaria de todo jogador que fosse contratado pelo Palmeiras recebesse um vídeo com a história do Palmeiras e decorasse a seguinte frase: "Leão Eurico Luis Pereira Alfredo e Zeca Dudu Edu Leivinha Ademir Cesar e Nei", como eu precisei aprender. Que antes de qualquer treinamento com a camisa do Palmeiras recebessem um curso intensivo de uma semana mostrando que este time já vestiu a camisa da Seleção Brasileira, que este time resgatou a moral de um país um ano após ele ter perdido a Copa do Mundo em casa, que ele comprou seu estádio com 250 contos de réis sem nenhum centavo público, que o Real Madrid tremia para a gente nos Ramons de Carranzas e Terezas Herreras da vida, etc, etc, etc.
O "protesto" que fizemos na última sexta não tem 0,0000000000001% da importância do protesto que foi feito no dia 24 de outubro pelas Diretas Já. É fundamental destacar isso!!!!! Somente com as eleições diretas alguma outra arrancada heróica poderá ser realizada. Mas ainda assim acredito que foi válido, ou ao menos melhor do que protestar partindo para a agressão, pichando o muro, gritando em frente na casa dos jogadores. Ao menos não escondemos nossas caras, dissemos nossos nomes e sobrenomes e posso informar até RG e CPF se quiserem.
Aceito a crítica de quem não gostou da matéria. Só peço que apontem os mesmos canhões contra conselheiros que vazam informações sigilosas de dentro do clube, contra dirigentes que transformam o clube num balcão de negócios, contra quem resiste às Diretas Já, contra presidentes que dão entrevistas falando mal dos jogadores do próprio time, contra uma geração de vitalícios que ama sua carteirinha e usurpa o clube sem dó, contra jogadores que entram em campos derrotados mas que possuem contas bancárias vitoriosas. Penso que são esses os que tentam diminuir a grandeza de um imponente.
Este blog vai ficar no ar só mais uma semana, depois eu o apagarei para voltar a torcer na minha, sem atingir ninguém, fazendo brincadeiras só entre meus amigos e conhecidos. Não quero mais entrar em discussões e muito menos adquirir o mesmo ódio de alguns. Sempre achei que o Palmeiras seria uma metáfora da minha vida. Não é mais! É uma evocação, aquele pedaço de bolo que desfrutava em sábados frios ou quartas à noite chuvosas, uma lembrança agradável em que tinha Careca Bianchesi como herói e ficava hipnotizado com aqueles 11 homens de verde escuro metálico que lutavam contra o universo (quem era Jaspion ou He-Man perto deles?), que me ensinou o quão doce ou amarga pode ser a vida.